É justo premiar competência com mais trabalho?

Por Taís Targa

Paulo Roberto Silva é funcionário dedicado, rápido na entrega de resultados, e em tudo o que faz imprime qualidade, agilidade e inovação. É o profissional com maior destaque entre os Analistas de Marketing da empresa onde trabalha. Empresa esta de renome internacional, reconhecida no mercado pela qualidade de seus produtos, mas que está buscando atualmente otimizar processos e controle orçamentário. Até segunda ordem as promoções e aumentos salariais estão suspensos. Acontece que na equipe de Paulo existem mais cinco Analistas de Marketing com salários que variam em até 30% acima ou abaixo de sua remuneração. Quando o assunto é performance e entrega, contudo, a liderança é unânime em apontar Paulo como funcionário destaque.

Nos últimos meses Paulo foi premiado com cinco novos projetos, sendo que dois deles são extremamente estratégicos para a empresa e os demais são projetos que têm certa complexidade. Paulo hoje gerencia nove projetos, enquanto seus colegas trabalham em média com no máximo cinco projetos consecutivos. Para dar conta do recado, Paulo tem estendido sua jornada, trabalhando até 12 horas diárias e ainda levando trabalho para casa nos finais de semana. Alguns funcionários de outros departamentos têm comentado que Paulo já não é mais o mesmo, já não brinca com todos na hora do cafezinho, não responde os e-mails com a rapidez costumeira e a sua marca que sempre foi qualidade e agilidade está estremecida. Sua esposa também reclama que ele não dá atenção para ela e que Paulo vive tenso e só fala em trabalho.

Este cenário lhe é familiar? Cuidado, você pode ter sido o vencedor da campanha “trabalhe bem e ganhe excesso de trabalho”.
Situações como a de Paulo são muito comuns no ambiente coorporativo e profissionais brilhantes têm se afastado das empresas por sérios problemas de saúde física e emocional, que se iniciaram com a sobrecarga de atividades. Portanto, cabe à liderança estar atenta à distribuição de tarefas, pois é tendência natural delegar trabalhos mais complexos e estratégicos para os melhores talentos. No entanto, ninguém consegue por muito tempo manter sua performance e motivação com sobrecarga de trabalho e sem nenhum benefício ou ajuda adicional.

Nenhum ser humano é igual ao outro, cada qual com sua singularidade, talentos e deficiências. É muito mais eficiente trabalhar com aquilo que temos de melhor, no entanto, não se pode esquecer de desenvolver uma equipe onde todos possam ser avaliados e o trabalho dividido de tal forma que não haja grandes discrepâncias entre profissionais de um mesmo cargo. O líder tem que ter um olhar atento para saber qual é o limite de cada um e possibilitar uma divisão justa de tarefas e funções, premiando os profissionais “destaques” de forma adequada.

Cabe aos profissionais de Recursos Humanos promover e disseminar políticas e estratégias para retenção dos melhores talentos, bem como possibilitar que cada indivíduo tenha condições de crescimento e desenvolvimento de acordo com suas motivações e competências, auxiliando muitas vezes as lideranças a “premiar” o bom resultado com ações que promovam antes de tudo saúde, satisfação e benefício pessoal.

Fonte: Site Empregos

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7 comentários

  • Evelyn 29 de janeiro de 2016   Resposta →

    Já aconteceu comigo… Lembro de falar para meu gerente que na época ficava nos EUA: Dá pra passar essa atividade pra fulano? Estou sobrecarrega, com 6 atividades e ele não tem nenhuma, o outro tem 2, não sei quem tem 1, não sou só eu aqui. E ele: Desculpe, eu só lembro do teu nome porque sei que posso te passar as atividades que elas ficarão prontas.
    Dá uma alegria e uma angústia ouvir isso.

  • Francis 26 de junho de 2016   Resposta →

    Isso aconteceu comigo sai com estresse e a empresa me perdeu !

  • Celso 23 de novembro de 2016   Resposta →

    Acredito que uma empresa com funções definidas, trabalhando por um ambiente saudável, não deixaria de manter seus lideres bem treinados para impedir este tipo de situação, e evitando perder um bom profissional.

  • Christiano 5 de outubro de 2017   Resposta →

    É por isso que muitos profissionais tem o que se chama de “incompetência estratégica”: fingir que não consegue para não precisar fazer.

  • Rosilane Gomes 13 de outubro de 2017   Resposta →

    Boa tarde!

    Passei por uma situação muito parecida com essa, porém em uma empresa do segmento de varejo. Como incentivo para melhorar minhas entregas, ou ouvia que tal procedimento fazia parte do meu treinamento para uma futura promoção. Com o discurso de que teriamos que ser poucos e bons, a demanda de trabalho só aumentava e eu passei por gerenciar até três lojas sem o reconhecimento das minhas entregas nos resultados, quando acontecia de eu entregar um resultados fora da curva a cobrança era igual ou até maior em comparação aos demais colegas, mas quando satisfatório , o era acontecia na maioria das vezes, eu apenas estava cumprindo com o meu papel profissional. Por vezes batia um desânimo, o grau de estresse era alto, mas logo eu voltava a carga total pois necessitava provar minha capacidade profissional e conquista minha promoção era meu objetivo principal, uma vez que eu já entregava porém não era remunerada para tal. Essa é uma situação frustrante, desanimadora e desigual. Mas é o que acontece em muito nas empresas, e vou lhe dizer, com a maior naturalidade da qual o discurso de produtividade e pro – atividade impera na maioria do tempo.

  • Vitor Mota 17 de abril de 2018   Resposta →

    Passei pela mesma situação.
    Sou chefe de turno e controlador de qualidade. Para além dos trabalhos associados ao controlo de produção e qualidade sou responsável por documentação técnica especifica e escolha de peças.
    Tenho ao meu cargo o triplo de trabalho dos meus colegas. O trabalho foi chegando em reuniões conjuntas (por isso sei o que cada um é responsável), em que as primeiras tarefas não foram compridas pelos meus colegas e a cada reunião chega mais uma tarefa para mim e nenhuma para os outros. Já alertei para esse facto para o meu chefe
    Numa situação especifica e já fora do horário de trabalho pedi ao meu chefe para ele priorizar uma tarefa de entre duas tarefas. A resposta foi: é preciso as duas realizar as duas. De salientar que só realizei uma tarefa, e surgiram mais duas urgentes, todas para terminar no dia seguinte na segunda hora de trabalho.
    Conclusão: De quatro tarefas realizei duas e ninguém do meu departamento resolveu as outras. Um cliente parou a linha de produção por falta de peças.

  • Fernando Csiszer 7 de maio de 2018   Resposta →

    O passado é história, o hoje um PRESENTE, e o futuro um mistério.
    Pode parecer filosofia de boteco (as quais eu adoro!) Ou até mesmo ter sido fala em algum filme ou desenho animado (que também gosto muito) mas o conceito cabe muito bem em nossas vidas profissionais e em especial se olharmos o belíssimo artigo da Tais por uma outra perspectiva.
    Vou citar um exemplo: na convivência com vários colegas gestores, tenho observado que muitos continuam vivendo sobre o que deu certo no passado, travando a criatividade de seus times e se negando a ver que o ambiente mudou e outros que simplesmente congelam na expectativa do que vai acontecer com suas vidas ou simplesmente esperam uma luz para ver qual caminho seguir.
    Eu ainda acredito que nós brasileiros temos uma tendência cultural em esperar salvadores o tempo todo. Alguns profissionais tem uma tendência a colocar toda a responsabilidade no líder ou na empresa, como se estes fosses um “ser supremo e infalível”. Claro, líderes fortes e focados ajudam e poderíamos falar muito sobre, mas sejamos francos em separar o que é desempenho punitivo e o que é meritocracia.
    Acredito que a meritocracia é algo fantástico que impulsiona a carreira dos profissionais íntegros, competentes e adaptáveis

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